A criação de um Porto de Águas Profundas, apontado com uma das alternativas para o setor logístico do Espírito Santo, precisa ser analisada com maior definição. Isso é o que defende o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marcos Guerra.

“O Porto de Águas Profundas está sendo muito discutido, mas precisamos urgentemente definir o local em que será instalado. Temos dois portos sendo cogitados: o de Presidente Kennedy e o de Vila Veha. Mas não seria melhor focar em um só? Acredito que seria mais viável. Acho que falta certa definição”, explica Guerra.

O presidente diz ainda que a indefinição gera insegurança para empresários que atuam no comércio exterior. “Quando converso com pessoas ligadas à área de mercado exterior, elas ficam na dúvida ainda. Não percebo certa segurança se será no lugar X ou no lugar Y. Acho que precisamos definir, até porque o porto de águas profundas requer amplo estudo, investimentos altíssimos, licenciamentos ambientais. A região que vai receber um porto precisa ser pensada para o futuro, para os próximos 50 anos, porque a estrutura é muito grande”, afirma.

Debate é antigo no ES

Em março deste ano, durante uma audiência pública da Frente Parlamentar Ambientalista, na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, o diretor da Intersindical Portuária, Luiz Fernando Barbosa Santos, lembrou que o debate sobre a construção de um porto de águas profundas no Espírito Santo remonta a 2004, quando os integrantes do Conselho de Autoridade Portuária (CAT), composto por representantes do governo, empresários e trabalhadores em portos, discutiam o novo cenário do comércio marítimo internacional provocado pela expansão econômica da China.

Segundo Barbosa, o crescimento do comércio das comoddities mundiais, no rastro do efeito China, forçou os armadores a aumentar o tamanho das embarcações, com o lançamento da geração de navios triple-E – mais velozes, com economia de escala e redução pela metade de emissão de CO2. Esses novos meios de transporte têm capacidade de transportar até 18 mil contêineres, bem acima da capacidade média antiga de sete mil contêineres, e exigem portos com calado mais profundo.

Com isso, terminais de estuário, que antes eram altamente competitivos, agora estão condenados a desaparecer do comércio mundial. “A maioria dos portos brasileiros, inclusive o de Vitória, foram os primeiros a sofrer as consequências dessa nova realidade”, explicou o engenheiro.

A criação do Porto de Águas Profundas é um dos assuntos abordados pela Série Logística é Solução da TV Vitória/Record. Ao todo, dez reportagens especiais serão exibidas no programa Fala Manhã, às 07h15, com reprise no Jornal da TV Vitória, às 19h45. Acompanhe!